[Uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viver as superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço....
[...]
Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender.
sexta-feira, julho 09, 2010
Dolorido-colorido.
quinta-feira, julho 01, 2010
morre sim!
[..] e a agora eu me pergunto se isso tudo faz sentido. Sinceramente, eu acho qe não, e não vejo meios de reverter essa minha opinião. Você sofre tanto, pena pra conseguir, mas nem consegue, pra queê, me digam pra quê sofrer tanto, se preocupar tanto, chorar tanto por alguém que mal sabe o seu nome, nem lembra seu telefone. Pois é, a vida é assim. A gente tem essa mania tosca e insana de se preocupar com quem menos merece a nossa atenção. E qem realmente se importa com agente, agente nem quer saber, mal ligamos. Será isso destino? Predestinação? Eu, particularmente, não sei o nome disso. E nem adianta gritar pro mundo todo ouvir: “DESSE MAL EU NÃO MORROOOO”! O escambal! Morre sim.! Que atire a primeira pedra quem nunca cometeu esse erro.! “SÓ DOU DO VALOR A QUEM ME DÁ VALOOOR” mentira! Antes de você saber quem tá te dando valor, você sofre com quem te desvaloriza, e isso é fato. [...] e quando você estiver lá na frente, beem na frente mesmo, vai se lembrar dessas pessoas –tanto as que valorizaram e as qe não, e vai saber que sua vida não teria a menor graça sem esse joguinho de importâncias. No final, espera-se que tudo se encaixe e fique bem, afinal, nós não precisamos mais do isso pra sermos felizes né?